A chegada da internet na imprensa pede mudanças, adaptações e ainda não é bem aceita por todos

Por Liz Mendes

No jornalismo de forma geral, a máxima de que “A pressa é inimiga da perfeição” nunca pôde ser levada muito ao pé da letra. Em tempos de internet, mensagens instantâneas e SMS (sigla para Short Message Service, como são chamadas as mensagens enviadas via aparelho celular) menos ainda. O jornalista tem pressa para ser o primeiro a publicar um furo e o leitor tem pressa de saber qual o mais novo detalhe sobre um caso de seu interesse.

A internet, que pode ser considerada uma vilã por aqueles mais céticos e que preferem o jornal em papel com as notícias do dia anterior, tem sido aliada dos dois lados. A apuração, embora nem sempre tão bem feita, conta com a rapidez da comunicação online (mensageiros instantâneos, e-mails). A recepção do conteúdo pelo leitor passa a ser imediata: assim que a matéria está pronta o jornalista a publica e ela pode ser lida.

Comodidade é a palavra que melhor define a nova era da comunicação, que conta com a grande ajuda da chamada Web 2.0. E a comodidade, inserida nesse contexto, significa, também, menos gastos. Se o repórter pode fazer a apuração por e-mail, ele não precisa se deslocar até a fonte. Resultado: as grandes empresas midiáticas conseguem lucrar ainda mais.

Assim, a internet também passou a ser um alvo certo para os jornalistas: eles descobrem pautas, entram em contato com as fontes, coletam informações e finalizam o trabalho, tudo sem ter que mover, muitas vezes, nada além dos dedos no teclado do computador.

Mas, afinal, o que é Web 2.0? Read the rest of this entry »

Foto: Internet Estamos tão acostumados com atrasos que quando algo começa na hora (ou, no caso, antes da hora) acabamos ficando com a sensação de “foi só isso?”. Assim foi o show do cantor Jason Mraz em Brasília.

O cantor subiu ao palco do Marina Hall com vinte minutos… de antecedência. Particularmente, não sou fã de atrasos mas também não achei correta a atitude de começar o show antes da hora.

À parte disso, o show deixou a sensação de “foi só isso” e não foi só pelo tempo. O set list curtinho não colaborou muito. Foram 14 músicas (entre medleys e músicas completas) em, cerca de, uma hora e meia. E entre uma música e outra momentos instrumentais belíssimos. Um desses momentos instrumentais teve tempo até para uma homenagem à música tema de As Panteras (aquele “Pããããnãnã pãããnãnããnãnãnã”) e ritmos bem brasileiros.

No palco, Mraz não fez feio: cantou ópera, rebolou e fez coreografia no refrão de Dynamo of Volition (uma das músicas mais gostosas de se cantar, um verdadeiro desafio).

Para quem curte, de verdade, o set list foi bastante agradável, embora sempre fique faltando uma ou outra música. Mas o maior problema de shows como esse é o grande número de adolescentes riquinhos, levando em consideração o valor dos ingressos que variavam de R$100 (meia, pista) a R$400 (inteira, pista premium), que conhecem uma única música (“Aquela que toca na novela, I’m yours, ou qualquer coisa assim“) e ficam lá gritando histericamente para o nada.

Sem desapontar essas pessoinhas, Mraz tocou as famosíssimas I’m Yours e Lucky (nesse caso, sem Colbie Cailat). Já os verdadeiros fãs puderam se surpreender com músicas como Plane, Unfold e Butterfly (ok, Butterfly pode não ter sido surpresa, mas eu me arrepiei ao ouvir os primeiros acordes dela, assim como arrepiei ao ouvir a introdução de DOV identica a do EP We dance).

Por fim, Mraz tirou, com sua Polaroid (aimeuDeus,comoeuqueriauma!!), uma foto do público e outra dele mesmo com o público ao fundo. A última ele jogou para “a galera”. A minha curiosidade é se a pessoa que deu a sorte de pegar a foto sabia o que fazer com ela… ou simplesmente ficou olhando aquele quadradinho de papel, meio duro e escuro se perguntando “Por que diabos eu iria querer isso, além de ter sido jogado pelo Jason Mraz?” (lembre-se: as pessoas são estranhas e capazes de colecionar qualquer coisa de uma pessoa famosa).

O show terminou às 23:12 e, além do grande número de pessoas reclamando (“Já acabou?”), confesso que foi divertido ver o grande (comparativamente) número de pessoas chegando para o show… que havia acabado!

É, pessoas, não que Sr. Mraz estivesse certo em começar o show antes, mas um pouquinho de pontualidade nunca matou ninguém. Da próxima vez, já sabe: quando se trata de Mraz ou chegue na hora, ou não vá.

*O título do post é uma paráfrase da primeira frase da música “I’ll do anything” (Go make your next choice be your best choice). Levando em consideração os problemas de horários e pessoas, faz sentido pensar que elas deveriam refazer suas escolhas.

Almoço da empresa, comemoração de um ano. Funcionários e “anexos” se dividiam em quatro mesas. Assim como as conversas se dividiam e se somavam, à medida que os assuntos se tornavam mais abrangentes e os tons de voz aumentavam, conseguindo atingir a todos. Vez ou outra a conversa se voltava totalmente aos pequenos grupinhos de quatro pessoas.

Nosso “grupinho” consistia em duas estágiarias e dois anexos (ou, como preferiram ser chamados: “os dois .pdf” . E, que fique claro, PDF e não FDP.) e nossos assuntos circulavam por diversos ambientes: faculdade, amenidades, histórias que ainda não haviam sido comentadas.

Entre chopps e doses de vodka com Coca-Cola, passaram-se quase duas agradáveis horas. Depois de comer e comer e comer e beber chega aquele momento em que todos estão curtindo uma preguicinha-de-barriga-cheia e olhando para o nada de um modo meio letárgico.

Um dos anexos se levanta para fumar um cigarro do lado de fora do restaurante e passa brincando com uma das estágiarias. Esta, olha para o lado de fora para vê-lo e se depara com um anúncio do supermercado em frente ao restaurante: “Chuchu/ Beringela Kg”.

“Berinjela não é com J?”, ela pergunta. Eis que seu “grupinho” responde “Não, é com G.”. “Mas eu tinha certeza de que era com J…”. O anexo, então, se pronuncia: “Acho que… não sei. Tô confuso agora.”

Resolvem então consultar outra pessoa. “Chefe, berinjela é com G ou com J?”. A chefe, inteligente e entendida responde “Com J. Não. Com G. Ah, fiquei confusa! Peraí!” Ela, por sua vez, pergunta à seu pai, o Grande Chefe. “É com J,” responde ele, “senão ficaria beringela (pronunciando como gueto)”. A chefe então retruca dizendo que para tal, ficaria faltando o U.

A discussão agora faz parte de todos os níveis da mesa. Anexos, funcionários e agregados, todos se metem na confusão da berinjela. No meio da bagunça, surge a ideia brilhante, ligar para a única estagiaria que estava na empresa, trabalhando (e, que fique claro, por escolha própria).

“Nós estamos com uma dúvida aqui: Berinjela, se escreve com G ou com J?”. Sem entender, ela pergunta pede que repitam a dúvida. Pesquisa no Google, acha um dicionário e dá o veredito: “Berinjela é com J. Em Portugal, parece que é com G.”

Sanadas as dúvidas, terminadas as ligações, já podíamos levantar de nossas cadeiras e retomar as vidas. O mistério da berinjela estava solucionado e o mundo podia voltar a girar.

Vestida com uma camiseta branca cuja estampa trazia uma “máscara” do ator Hugh Laurie, conhecido pelo personagem Dr. House, calça de yoga preta curta e um par de All Stars brancos, a estudante Sílvia Mendonça (18) estava sentada e sua cama enquanto falava de filmes, livros, cultura, faculdade e futuro.

Em seu pequeno quarto de paredes creme, no final do corredor, estão parte de suas preciosidades: em cima de sua cama um pôster do cabaré francês Moulin Rouge, presente de uma amiga de sua mãe; ao lado, na estante, livros de Jane Austen e Jeffrey Eugenides e alguns discos de vinil de cantores como Simon & Garfunkel e Chico Buarque. Fica fácil notar que não se trata do quarto de uma adolescente comum.

Foto acervo pessoal

 

 

Sua lista de preferências traz nomes como os diretores Sophia Coppola e Gus Van Sant e os pintores Gustav Klimt e René Magritte. Foi por influência direta de seu irmão Silvino, quatro anos mais velho, que começou a se interessar por assuntos não tão usuais para os jovens de hoje. “Meu irmão sempre me passou muito conhecimento sobre filmes, artes. Claro que eu não gosto só do que ele gosta, mas foi ele quem começou a me introduzir nesse lado mais cultural”, explica a estudante. Para Karine Neumann, amiga há dois anos e meio, eles são versões um do outro de sexo diferente. “Os dois são muito parecidos”, comenta.

Sua maturidade veio, então, junto com seus gosto à frente de sua idade. Em uma época na qual a insegurança costuma se instalar, demonstra despreocupação, sem se deixar afetar pela opinião alheia. “Ela é uma pessoa de personalidade forte, não precisa seguir padrão nenhum para afirmar sua personalidade”, comenta Marisa Mendonça, sua prima e amiga.

Sua personalidade pode ser considerada um ponto decisivo para a escolha de suas amizades. Não que ela interfira afastando as pessoas. Pelo contrário, é ela quem faz com que algumas pessoas se aproximem. Seu círculo de amizades, reais ou virtuais, é o mais diversificado possível, seja em faixa etária, etnia, credo, orientação sexual ou localização.

Mas não é em tudo que ela foge aos padrões. Querendo ou não, ainda é uma adolescente e crescer faz parte de sua vida. “Ela sempre se joga no chão quando ri demais”, confessa Neumann. E do que ela ri? “Eu costumo rir do meu irmão e das minhas amigas, eles sabem muito bem como me fazer rir. Meu humor é estranho”, comenta a jovem.

Foi em um outro momento de “adolescência aflorada” que ela conquistou uma nova amizade. Em meio a um ataque de pânico durante uma apresentação de trabalho, sua até então professora de inglês sentou-se e conversou com ela até que estivesse bem para voltar à sala. “Tivemos uma reveladora conversa de apenas alguns minutos e, a partir de então, decidi dar mais atenção àquela aluna em particular”, conta Katiane, a professora-amiga.

Sílvia se diferencia por, nas palavras de sua amiga Micaella Saliba, ser “uma mulher no corpo de uma doce menina”.

Nome Próprio não poderia ser mais contemporâneo. Em uma época onde qualquer um e todos podem ser escritores está Camila, uma escritora sem livro. Apaixonada pela escrita, Camila divide seus pensamentos com um blog e milhares de pessoas (além de folhas de papel, paredes ou qualquer coisa onde se possa rabiscar).

Foto divulgação.

Foto: Divulgação

Camila tem a cara de milhões de pessoas que compartilham diariamente seus pensamentos e escritos, sejam eles ficcionais ou não, na rede mundial. À parte disso ela é a personificação da intensidade. Em tudo. E é essa intensidade a responsável pelo que acontece em sua vida: suas relações e o fim delas e até mesmo sua escrita. A personagem é dependente dos excessos e marcada por rompantes. A música tema de Camila, inclusive, retrata muito bem sua personalidade: “Quando você tira a roupa/ algo se revela/ você deixa a personagem/ e vira atriz”.

Por falar em “trilha sonora”, esta não poderia ser mais habitual: o som das teclas de um computador. Para todos aqueles que passam pelo menos dez minutos de seu dia em frente à um computador (e isso, no Brasil, significa uma grande parcela da população) é um “barulho” mais do que comum. Mas é ele quem faz toda a diferença em algumas das melhores cenas em que Camila digita furiosamente e as frases vão tomando forma à seu redor.

Premiada por sua atuação no filme, Leandra Leal é quem dá vida a Camila. A atriz veste a camisa (ou, se despe) e adquire um tom bem diferente do que pode ser visto na maioria de suas personagens televisivas e de alguns filmes. Provavelmente, porque nenhuma das anteriores seria assim tão consumidora.

O filme exige também do público sendo quase obrigatória que este se desprenda de todos seus pudores antes de sequer pensar em assistí-lo. Caso contrário serão necessários menos de cinco minutos para começarem as reclamações, choques e repúdios.

O roteiro de Nome Próprio nasceu dos livros Máquina de Pinball e Vida de Gato, de Clarah Averbuck, e de outros textos da mesma autora publicadas em seu blog. O filme é permeado pela simplicidade de suas cenas que acabam fazendo com que a história ganhe força, dessa forma os detalhes são realçados. Um bom exemplo é o fato da personagem, que é brasiliense, ter o mapa de Brasília emoldurado e pendurado na parede de seu apartamento, detalhe que, provavelmente, passaria desapercebido.

Seguindo a linha “cibernética” do filme, Nome Próprio tem um blog oficial. Lançamento do filme nos cinemas, do DVD e perguntas ao diretor estão postadas e disponíveis para comentários diversos.

Um filme que, a julgar pela história, pode parecer adolescente ou desnecessário prova que os pré-julgamentos são extremamente falhos. Não só vale a pena assistir como, se a pessoa já tiver uma certa propensão a escrever, após assistí-lo será praticamente impossível resistir a tentação de começar (ou levar adiante) um blog, livro ou mesmo caderno de anotações dos seus pensamentos.

 (Nome Próprio, 2007, com Leandra Leal. Direção de Murilo Salles)

Nota: quem se interessar pode dar uma olhada, também, no site do diretor para o filme. E eu, particularmente, recomendo os teasers, em especial o “Um cigarro. O computador. Uma sala vazia. – O corpo.”